Ter cidadania europeia é vantagem para quem quer estudar no Reino Unido

Lisandra Matias – Jornalista
08/06/2020

Estrangeiros que têm essa condição contam com desconto para pagamento da anuidade do curso superior; manutenção de programa de financiamento depende de decisão do governo Se você pensa em fazer uma graduação ou pós-graduação no Reino Unido, vale a pena saber que, se tiver cidadania europeia, pode contar com uma série de benefícios. Eles dizem respeito, entre outros aspectos, ao pagamento da anuidade do curso e a melhores condições de financiamento.

Raimundo Sousa, diretor da OK Student Brasil, empresa de consultoria para estudantes brasileiros que querem ingressar numa universidade no Reino Unido, diz que o governo inglês tem um programa de financiamento estudantil, o student finance, que se destina tanto a estudantes britânicos como a qualquer outro que tenha cidadania europeia. Neste caso, a exigência é ter residência na Europa há mais de três anos. Ele atende a todos que se encaixam nesses critérios, independentemente das condições financeiras e desempenho acadêmico, e não necessita de fiador. Outra vantagem é que o contrato é válido por quatro anos, período em que é possível concluir a graduação e a pós-graduação.

Por meio dele, o estudante realiza o seu curso e paga apenas após se formar e dentro de um prazo de até 30 anos. Em abril do ano seguinte ao que concluiu os estudos, ele precisa apresentar informações sobre seus rendimentos. Se ele não estiver trabalhando ou se receber um salário inferior a £25 mil por ano, ele está isento do pagamento. Se tiver um salário acima desse valor, ele desembolsa apenas 9% sobre o que ultrapassar os £25 mil. Por exemplo, se o salário dele for de £26 mil, ele pagará 9% de £1 mil, o que representa £90.

“Isso significa que o financiamento será quitado no futuro e de forma bastante confortável para não sobrecarregar o orçamento do estudante. E, se ele nunca chegar a ganhar esse valor, o contrato caduca e não há dívida a ser paga”, explica Sousa.

Ele alerta, no entanto, que devido à saída do Reino Unido da União Europeia, tudo indica que esse financiamento será válido apenas para quem ingressar na universidade até fevereiro de 2021. “A partir dessa data, os cidadãos europeus não devem mais ter acesso a esse financiamento. Mas, talvez, o governo inglês o postergue por mais um ano, para atender solicitações das universidades — hoje são cerca de 140 mil estudantes europeus no Reino Unido — e também devido à crise causada pela pandemia do novo coronavírus.”

Desconto na anuidade

Já quem não vai pedir financiamento e opta pelo pagamento da anuidade do curso, se for cidadão europeu, terá as mesmas condições que os estudantes britânicos — o valor padrão de £9 mil por ano, enquanto para os estrangeiros (que não têm a cidadania europeia) o valor cheio gira em torno de £18 mil para um curso de Engenharia e até £35 mil para Medicina. E, mesmo com a saída do Reino Unido da União Europeia, a perspectiva é dessa condição ser mantida.

“O preço da anuidade está sendo negociada com a Comunidade Europeia e com o governo inglês para que não haja alteração para o cidadão europeu. Ainda que ele deixe de ter acesso ao financiamento, ele não perderia a equiparação ao estudante britânico em relação ao valor da anuidade. O acordo está praticamente fechado, e ainda tem a vantagem de não precisar da comprovação de residência na Europa”, observa Sousa. “É uma tremenda vantagem para o brasileiro que tem dupla nacionalidade, pois vai se beneficiar de um valor excepcional se comparado a aquele cobrado de estudantes internacionais”.


Últimas publicações
Berço da música
Mestrado e doutorado no Reino Unido
Irlanda do Norte: uma excelente opção para sua graduação