Estudar fora envolve alguns receios que devem ser desmistificados

Lisandra Matias – Jornalista

20/08/2020

Sair da casa dos pais e mudar de país, vivenciar uma outra cultura e adaptar-se a uma nova rotina são preocupações comuns; estudante conta sua experiência e fala da importância de superar esses medos

Fazer uma graduação no exterior é o sonho de muitos estudantes. Mas, muitas vezes, esse desejo vem acompanhado de alguns receios, pois envolve mudanças importantes, como morar em outro país sozinho, longe dos pais e amigos, e vivenciar uma cultura diferente.

Esses desafios foram enfrentados pela estudante Alexandra Lopes, de 19 anos, quando ela decidiu sair de Braga, em Portugal, no ano passado, para estudar Produção de filmes e TV na University of Hertfordshire, no Reino Unido. “A maior preocupação — em geral, e também foi a minha — é ir para um outro país e ficar completamente sozinho, não conseguir fazer amigos e não se habituar à vida lá”, conta. “Mas me adaptei muito bem e fiz amizades para uma vida inteira.”

Segundo ela, muitos desses receios precisam ser desmistificados. “Se o estudante for com a mente aberta e estiver disposto a interagir e conhecer novas pessoas, ele vai criar laços muito facilmente”. Ela lembra que nas universidades do Reino Unido há muitos alunos internacionais e todos estão na mesma situação, distantes de casa, o que favorece o estabelecimento de conexões muito fortes entre as pessoas.

Em relação ao “choque cultural”, ela diz que são várias culturas convivendo, e o ambiente é de harmonia e curiosidade em relação às diferentes culturas e hábitos, e não no sentido de considerar uma cultura superior a outras. “Vejo as pessoas interessadas em saber mais sobre como é a vida em outros países, mas sempre com muito respeito e disposição em descobrir coisas novas”.

Imaginar que o curso de graduação será muito difícil é outro mito, de acordo com Alexandra. “No meu caso, o ensino médio foi muito mais puxado do que a universidade está sendo. Na Inglaterra, os cursos são muito práticos, a gente aprende os conteúdos e já aplica, e eles se focam no que é realmente importante saber para aquela determinada área. Não há disciplinas desnecessárias, e isso nos leva a nos empenhar mais.”

Em relação à questão da língua, para aqueles que têm dificuldade, ela recomenda ouvir muito o inglês, seja em músicas, vídeos do YouTube, filmes ou séries. “Isso ajuda bastante, mas é preciso prestar bastante atenção no que se está ouvindo. Ler em inglês também é uma forma de ganhar mais domínio no idioma”.

Para Alexandra, é importante ter em mente que nenhum caminho é fácil, mesmo quando a pessoa permanece no seu país de origem, e que as dificuldades surgem, mas com foco e um objetivo em mente, é possível superá-las. “Nem tudo é um mar de rosas, vai ser preciso se esforçar e fazer alguns sacrifícios. Arranjar um trabalho part time, por exemplo, se você não está em Londres, pode ser mais difícil, mas é preciso ter determinação e não desistir”, afirma. “Estudar fora tem enormes vantagens, como se socializar com pessoas diferentes, conhecer mais do mundo e se preparar melhor para a vida profissional. Ajuda a entrar na vida adulta, cuidar de si, estudar e trabalhar. É um crescimento muito grande acadêmico e também pessoal. Quem tem essa oportunidade, deve aproveitá-la”.


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