Lisandra Matias – Jornalista

20/10/2020

Conheça os ganhos de estudar no Reino Unido, a partir da experiência de um brasileiro que estudou na Inglaterra e na Escócia e hoje trabalha na Holanda

Fazer uma pós-graduação no Reino Unido traz inúmeras vantagens para a formação do futuro profissional. Além da experiência de vivenciar uma outra cultura e da excelência das universidades do país, o estudante tem ganhos também em relação ao ensino, que possui um caráter prático e alinhado aos desafios do mundo atual.

O brasileiro Pedro Godoy, de 26 anos, fez graduação em administração (business management) na Middlesex University, em Londres, na Inglaterra. Em 2016, após concluir o curso — ele se graduou com a melhor nota da turma — ele partiu para um mestrado em negócios internacionais na University of St Andrews, na cidade de mesmo nome, na Escócia.

“Escolhi essa área porque sempre quis trabalhar em países diferentes e conhecer outras culturas, não apenas como turista, mas como profissional. Quanto à universidade — a terceira mais antiga do mundo anglofônico, fundada no século XV –, eu a selecionei pela reputação e tradição em formar pessoas com papéis profissionais relevantes”.

Também pesou nessa decisão, segundo ele, a boa colocação da instituição nos rankings universitários internacionais e o fato de ser forte na área de ciências humanas. “Além disso, em St Andrews, metade da população é formada por estudantes. Como eu tinha vindo de Londres, que é uma metrópole, eu queria ter a experiência de estudar em uma cidade menor e ter essa sensação de proximidade e de comunidade com as pessoas.”

Entre as vantagens de cursar uma pós no Reino Unido, ele destaca a convivência com os alunos internacionais, vindos de diversos países — pessoas de nacionalidades diferentes debatendo ideias com pontos de vista diversos. “Ter essa variedade de pessoas intelectualmente engajadas na sua vizinhança é uma oportunidade sensacional e contribui muito para o aprendizado. Não há outra maneira de ganhar essa experiência multicultural e essa bagagem de conhecimentos.

Pedro também chama a atenção para o caráter prático do ensino. “Claro que estudamos autores, conceitos e teorias que embasaram a história e a ciência, mas uma parte significativa da formação é resolvendo problemas e pensando em soluções para questões atuais, para que os alunos saiam da universidade prontos para atuar no mercado”.

Outro ponto importante, de acordo com ele, é que os conteúdos ensinados também são de grande relevância. “Os alunos não vão entrar na sala de aula para aprender o que está no Google. Eles vão discutir, por exemplo, quais são as empresas disruptivas atualmente, quais estratégias de mercado elas usam e quais são as tendências atuais.”

Ele também conta que os professores das universidades, além da produção acadêmica, costumam ter uma vasta rede de contatos e relação com o mundo profissional, o que favorece a indicação de alunos para vagas de trabalho.

Assim que terminou o mestrado, em agosto de 2017, Pedro foi para Roterdã, na Holanda, onde trabalhou numa empresa multinacional de bens de consumo. Em 2018, mudou-se para Amsterdã, onde atua como gerente de contas em uma empresa de logística internacional que trabalha com exportação e importação. “Ter feito o mestrado permitiu que eu tivesse um grande leque de escolhas. Eu poderia ter ido para vários lugares e escolhi Amsterdã. Conseguir estar onde eu queria é algo incrível, e eu devo muito disso ao curso que fiz.”

Lisandra Matias – Jornalista

18/10/2020

Há vários aspectos que o estudante deve considerar nesse processo, como o leque de graduações oferecidas e as possibilidades de diferentes ênfases e abordagens; consultor da OK Student dá algumas orientações nesse sentido

No momento da escolha do curso e da universidade no exterior, é muito importante se informar sobre as opções existentes, analisá-las e compará-las. No Reino Unido, por exemplo, há mais de 40 mil cursos de graduação.

“Para além das formações clássicas em negócios, marketing, direito, ciências biomédicas e engenharia, há cursos que o estudante pode nem fazer ideia que existem. Daí a necessidade de conhecer para poder tomar essa decisão com consciência e segurança”, diz João Almeida, 27 anos, consultor da OK Student, em Lisboa, Portugal. Ele mesmo passou pela experiência de estudar na Inglaterra, onde cursou Gestão Turística Internacional na Middlesex University, em Londres, de setembro de 2013 a maio de 2016.

Para mostrar a relevância dessa pesquisa aprofundada, ele conta o caso de uma estudante que gostava da área de direitos humanos, sustentabilidade e de ajudar as pessoas. Ela havia pensado em Relações Internacionais, mas acabou optando por Disaster Management & Sustainable Practices depois de saber que havia essa opção. “Esse curso só é oferecido em uma universidade do Reino Unido. Sozinha e sem a ajuda de uma consultoria, possivelmente ela não chegaria nesse curso. “Às vezes, por não conhecerem ou não pesquisarem, os estudantes deixam de se candidatar a um curso que poderia ir ao encontro do que ele realmente quer.”

Como exemplos de cursos diferentes oferecidos no país, ele cita Surf Science & Technology, Golf Management e Contemporary Circus and Physical Performance. Também há os chamados cursos do futuro, com grande potencial de empregabilidade, entre eles Ethical Hacking, Artificial Intelligence, Data Analysis, Environmental Engineering, Outdoor Leadership e o próprio Disaster Management & Sustainable Practices.

O consultor explica que, mesmo em um curso mais tradicional, como Gestão Turística Internacional, o aluno pode escolher uma abordagem mais geral voltada ao turismo ou uma ênfase mais específica, como marketing, recursos humanos, eventos, hospitalidade, aviação ou sustentabilidade. Os cursos também podem variar de universidade para universidade. Não só em relação à ênfase, mas em termos de método de avaliação, plano curricular, acreditações e saídas profissionais.

Outro ponto importante é se o aluno busca uma graduação com abordagem mais teórica ou prática. Um mesmo curso, dependendo da instituição, pode contemplar, em relação à avaliação, apresentações, trabalhos em grupo, relatórios, questionários e entrevistas e projetos, enquanto outro ser à base de exames. O mesmo acontece em relação a estágio durante a graduação. Algumas universidades oferecem a possibilidade do aluno ter essa experiência em outro país e depois retornar e finalizar a graduação.

No processo de escolha, o estudante também deve atentar para as diferenças de preços. Dependendo da universidade e do curso, uma licenciatura pode variar de 11 a 20 mil libras por ano. Ao final de um período de três anos, que é a duração do curso, isso pode resultar numa economia significativa. “Não é por ser mais caro que o curso vai ser melhor ou pior, pois isso está relacionado ao tipo de estudante que a universidade procura angariar”, afirma João.

Para o consultor, todos esses fatores devem ser pesados no processo de escolha de um curso e da universidade. “O foco das universidades é a empregabilidade, e os alunos querem terminar o seu curso e conseguir um bom trabalho na área que gostam. Para isso é fundamental escolher o curso e a universidade certa”.

Lisandra Matias – Jornalista

18/10/2020

Instituição fundada em 1826, que tem feito importantes estudos sobre a Covid-19, reúne 29 ganhadores de Prêmios Nobel e possui mais da metade de seus alunos vindos de outros países

Diante da pandemia do novo coronavírus, universidades de todo o mundo têm direcionado suas pesquisas para compreender melhor os impactos relacionados à Covid-19 e conter o seu avanço. Nesse cenário, a University College London (UCL) tem contribuído com estudos para melhorar o diagnóstico e ajudar no desenvolvimento de uma vacina para a doença e também na divulgação de informações à população e às autoridades de saúde do Reino Unido e também do mundo.

Entre os principais estudos realizados pela UCL estão o desenvolvimento de um novo protocolo para o sequenciamento genético do novo coronavírus (em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz), a sua relação com possíveis danos cerebrais e uma das pesquisas (Virus Watch) mais abrangentes sobre transmissão e imunidade da Covid-19, realizada com 42 mil voluntários no Reino Unido.

A forte atuação da UCL no combate à Covid-19 fez com que a instituição ganhasse destaque na mídia. Mas, seus atributos vão além disso. Fundada em 1826, UCL é a universidade mais antiga da capital inglesa e pioneira em várias frentes. Foi a primeira na Inglaterra a ter mulheres na educação universitária, a receber estudantes de qualquer religião ou origem social e a ensinar inglês, alemão, química e engenharia.

Atualmente, suas 11 faculdades reúnem mais 43 mil alunos de cursos de graduação e de pós-graduação, em áreas diversas, que vão de engenharia, medicina e ciências ambientais e exatas, a ciências sociais aplicadas, artes e humanidades. Com 29 ganhadores de Prêmios Nobel e presente nas primeiras colocações dos principais rankings internacionais de educação e ciência, seu ensino e pesquisa são reconhecidos mundialmente pela excelência e impacto global. Entre os principais temas de estudo e ações estão neurociência e primeira infância, medidas de combate à fome, descobertas sobre o buraco negro e terapias genéticas.

A internacionalização é outra forte marca da UCL, que possui parcerias com instituições de todo o planeta. Mais da metade de seus alunos são estudantes internacionais, o corpo docente reúne professores de diferentes nacionalidades.

A UCL faz parte de uma federação de cerca de 20 instituições de ensino superior, reunidas sob o nome da University of London. Também integra o chamado Golden Triangle das universidades britânicas, que designa as mais prestigiadas instituições educacionais de Londres, Oxford e Cambridge, que inclui também Imperial College London, King’s College e London School of Economics and Political Science.

Lisandra Matias – Jornalista

18/10/2020

Carolina Duarte, aluna da Solent University, no Reino Unido, conta como se planejou financeiramente para estudar fora e como controla os gastos do dia a dia

Estudar fora exige planejamento financeiro, pois envolve várias despesas importantes, como custo do curso e da acomodação, além dos gastos do dia a dia para se manter em outro país. Mas, atitudes simples podem ajudar a economizar e a lidar com o orçamento. A estudante Carolina Duarte, de 25 anos, que faz graduação no Reino Unido, dá algumas dicas de como se organizar e poupar antes e durante o período de estudos no exterior. Ela cursa o terceiro ano de Produção de Mídia, na Solent University, em Southampton, na costa sul da Inglaterra.

Carolina conta que sempre foi bastante organizada e que gosta de se planejar com antecedência para as diferentes situações. Quando decidiu estudar no Reino Unido, como já trabalhava, ela passou a reservar uma quantia do seu salário por mês, durante um ano e meio. “Pensando na graduação que eu queria fazer fora, eu tentava juntar cerca de 90 libras mensais. Quando não era possível chegar nesse valor, eu guardava o quanto eu conseguia e, no mês seguinte, tentava repor. Claro que isso vai depender muito de cada pessoa e do seu contexto de vida, mas meu conselho é tentar guardar o que for possível para cada um, pois, com certeza, isso vai ajudar muito”.

A estudante ressalta que, quando se está economizando uma quantia por mês, sempre fica a impressão que não se tem o dinheiro suficiente ou que era preciso juntar mais. “Imaginamos que nunca chegaremos à quantia perfeita. Mas, o que a pessoa conseguiu juntar já é um grande passo.”

Uma vez no país de destino, ela sugere ter uma quantia guardada para alguma emergência, o que dá mais segurança e tranquilidade ao estudante. Outra dica é controlar as despesas mês a mês para saber exatamente quanto está sendo gasto e com quê — por exemplo, em alimentação, lazer ou material de estudo. Isso pode ser feito por meio de um arquivo ou planilha de excel, que vai somando automaticamente os gastos, de modo a se ter uma visão geral do orçamento.

Em relação a compras, aprender a distinguir o que é necessário adquirir naquele momento e o que pode ser deixado para depois também é um exercício interessante para quem quer economizar. “Muitas vezes, as pessoas saem de casa e querem fazer aquilo que têm vontade, sem pensar muito na realidade da sua condição financeira e nas suas responsabilidades. Uma camiseta que você gostou, por exemplo, é algo que dá para deixar para um segundo momento. Tendo esse pensamento, dá para conciliar as coisas, ou seja, se divertir e pagar as contas.”

Trabalhar enquanto estuda é outra possibilidade. Carolina tem um trabalho part-time onde atua como supervisora de um restaurante localizado em um hotel. “Além de ajudar a pagar as contas, é algo muito importante para o desenvolvimento pessoal, pois envolve a questão da responsabilidade, da independência financeira, da autoconfiança e da autoestima.”

Até na hora do lazer também é possível optar por programas mais econômicos. A estudante conta que há muitos museus gratuitos na Inglaterra e que há o costume de fazer picnics em parques, nas cidades onde o clima é mais quente, ou se encontrar nas áreas de convivência dos alojamentos estudantis. “Nessas situações, também dá para economizar ao comprar algo para comer no supermercado. Enfim, sempre há alguma saída. Tudo vai depender também da criatividade de cada um. Com um pouquinho de esforço, dedicação e tranquilidade, tudo se alcança, tudo se consegue”.

Lisandra Matias – Jornalista

17/10/2020

Ouvir e saber mais sobre a história desses grupos musicais, representativos da cultura britânica, é uma maneira de conhecer mais o país

Uma forma de se familiarizar com o idioma e conhecer melhor a cultura de um país é por meio de sua produção artística. Aqui separamos quatro bandas de rock representativas da cultura britânica e que deixaram sua marca na história. Confira de onde são seus integrantes, quais universidades frequentaram e os principais prêmios e reconhecimentos que conquistaram na região.

The Beatles

Reconhecida como a mais famosa e importante banda de rock de todos os tempos, foi formada em 1960, em Liverpool, cidade portuária situada no noroeste da Inglaterra. Lá nasceram seus quatro integrantes: John Lennon (vocal e guitarra), Paul McCartney (vocal e baixo), George Harrison (vocal e guitarra) e Ringo Starr (vocal e bateria). No Liverpool College of Art estudaram Lennon e Stuart Sutcliffe, baixista original da banda. Os Beatles se transformaram no maior fenômeno da história do rock, atraíram multidões por todos os países pelos quais passaram e venderem uma quantidade estimada em mais de seiscentos milhões de discos. Trouxeram muito ecletismo para suas composições, com influências da música erudita, da música indiana e de outras vertentes da cultura pop. Como tudo na carreira deles foi superlativo, foram multi premiados, incluindo diversos Ivor Novello Awards, prêmio concedido anualmente pela Academia Britânica de Compositores a músicos do Reino Unido.

The Rolling Stones

Essa banda lendária, criada em 1962, em Londres, mantém uma incrível capacidade de se perpetuar. Sua formação mais duradoura inclui os fundadores Mick Jagger e Keith Richards, além de Ron Wood e Charlie Watts. Influenciados por diversos gêneros musicais, como blues e country, vem inspirando outros grupos até hoje. Mick Jagger nasceu em Dartford, cidade próxima a Londres, e foi estudante da London School of Economics, onde cursou contabilidade e finanças. Premiadíssimos, os Rolling Stones levaram, entre outros, o London International Awards.

Queen

A banda também foi formada em Londres, a partir do trio Smile, durante os anos de 1968 e 1969. Composta pelos músicos Brian May (guitarrista), Freddie Mercury (vocalista), John Deacon (baixista) e Roger Taylor (baterista), ela atinge sucesso internacional a partir de 1975, após o lançamento da obra: A Night at the Opera, que inclui a faixa Bohemian Rhapsody. Freddie Mercury ganha destaque pela qualidade da sua voz, com uma potência semelhante a de cantores líricos. Antes de integrar a banda, os quatro músicos foram estudantes universitários. Freddie Mercury cursou design gráfico no Earling Art College, Brian May estudou física e Roger Taylor odontologia no Imperial College London, e John Deacon fez Engenharia Elétrica no Chelsea College. O Queen foi laureado com diversos prêmios, dentre eles o Brit Awards, importante prêmio da indústria fonográfica britânica.

Coldplay

A University College London (UCL) está na origem do Coldplay, banda formada em 1996 por Chris Martin, vocalista e pianista, que cursava grego, o guitarrista Jonny Buckland, estudante de matemática, o baterista Will Champion, que fazia antropologia, e o baixista Guy Berryman, que cursou engenharia. O grupo alcançou sucesso a partir do lançamento do álbum Parachutes, indicado para o Mercury Prize como melhor álbum do ano do Reino Unido e Irlanda, e também com A Rush of Blood to the Head, vencedor do álbum do ano pela New Musical Express (NME), respeitável revista musical do Reino Unido.

Lisandra Matias – Jornalista

16/10/2020

A formação oferecida varia de acordo com o tipo de instituição; estudante estrangeiro deve conhecer sistema de ensino e nomenclaturas para não se confundir

Para quem pensa em fazer uma graduação ou pós-graduação no exterior, uma dica importante é conhecer como se estrutura o sistema educacional no país de interesse, entender as possibilidades em cada nível de ensino e as nomenclaturas correspondentes. Uma dúvida clássica se refere à diferença entre estudar em um college ou em uma universidade.

No Reino Unido, após o nível secundário (que corresponderia ao Ensino Médio no Brasil), os alunos continuam os estudos em colleges ou universidades. Os colleges equivalem, mais ou menos, às faculdades e aos institutos brasileiros. Eles oferecem uma formação mais focada em habilidades práticas e qualificações específicas para atuar em um determinado setor de atividade.

Essa formação mais voltada para um campo de interesse permite que o estudante ingresse no mercado de trabalho de forma mais rápida. Os cursos também têm uma duração mais curta — em geral, de um a dois anos. Mas esse período também pode funcionar como uma preparação acadêmica para entrar na universidade.

Outras vantagens em cursar um college são o custo mais baixo e uma estrutura mais flexível, incluindo cursos de meio período. Eles se destacam, sobretudo, em áreas como administração, direito, educação, artes, mídia e tecnologia.

As universidades, por sua vez, oferecem uma variedade maior de cursos de graduação (mais teóricos e mais generalistas em relação aos colleges) e de pós-graduação, como mestrados e doutorados. Também desenvolvem pesquisa, permitindo um maior aprofundamento dos alunos em suas áreas de estudo.

No entanto, vale lembrar que a denominação “college” também diz respeito à organização das duas mais tradicionais e renomadas universidades britânicas: Oxford e Cambridge. Elas se estruturam em torno de um modelo de instituições independentes e autogovernadas, o que está relacionado às suas origens — historicamente, elas surgiram a partir da união de diferentes instituições. Mas, no caso, eles oferecem formação universitária mesmo, assim como instituições que têm a palavra “college” em seu nome, mas são universidades, caso do Imperial College London.

Lisandra Matias – Jornalista

Curso, que pode ser uma exigência da instituição ou escolha do aluno, é voltado para nivelar e adaptar os estudantes internacionais ao sistema educacional do Reino Unido

O foundation year é o “ano zero” dos cursos de graduação no Reino Unido. Consiste em um ano preparatório para nivelar os estudantes internacionais ao sistema educacional britânico e ajudá-los a desenvolver as habilidades e os conhecimentos necessários para ingressar no ensino superior. Eles também cumprem um papel importante na adaptação dos alunos estrangeiros à vida acadêmica e cultural do país.

Esses programas destinam-se aos estudantes que não atendem aos requisitos mínimos para serem admitidos diretamente no primeiro ano da graduação ou desejam se preparar melhor, tanto nas disciplinas básicas do curso quanto em relação ao nível de inglês. Costumam, ainda, ser oferecidos a quem está fora do sistema de ensino há muitos anos e quer voltar a estudar para obter um diploma universitário. Assim, podem ser uma exigência da universidade ou uma escolha voluntária do estudante.

O ano preparatório é oferecido pelas próprias universidades ou por colégios associados, geralmente localizados no campus universitário. Neste caso, os alunos são considerados estudantes com pleno direito à universidade e podem fazer uso de todas as instalações.

Há, basicamente, dois tipos de programa. Os mais genéricos dão acesso a diferentes cursos de uma determinada área e são compostos de duas ou três disciplinas principais e, em geral, o aluno pode escolher uma disciplina opcional. São indicados para quem ainda não se decidiu por um curso e precisa de mais conhecimentos para ajudar nessa definição. Já os mais específicos são direcionados a determinadas graduações. Normalmente, recebem a denominação de curso prolongado, pois integram o ano preparatório ao curso escolhido.

Ao fim do foundation year, se aprovado, o aluno pode ter progressão automática para o primeiro ano do curso universitário. Em alguns casos, no entanto, essa passagem não é garantida, e a admissão precisa ser solicitada.

Lisandra Matias – Jornalista

16/10/2020

Na tradicional classificação, que avaliou mais de mil universidades, Oxford, Cambridge, Imperial College London e University College London (UCL) figuram entre as melhores do mundo

Na edição de 2021 do QS World University Rankings, um dos principais rankings acadêmicos internacionais, quatro universidades do Reino Unido estão entre as Top 10 do mundo: University of Oxford (5ª colocação), University of Cambridge (7ª), Imperial College London (8ª) e University College London (10ª). Para efeito de comparação, a universidade brasileira mais bem colocada foi a Universidade de São Paulo (USP), que ficou na 115ª posição (acima dessa posição o Reino Unido possui 18 universidades).

Realizado pela Quacquarelli Symonds (QS), consultoria britânica especializada em ensino superior, o ranking avaliou mais de mil universidades de todo o mundo, de acordo com seis indicadores: reputação acadêmica (responsável por 40% da composição do conceito final), reputação entre empregadores (10%), proporção de docente por aluno (20%), citações científicas (20%), proporção de estudantes estrangeiros (5%) e proporção de docentes internacionais (5%).

A reputação acadêmica é medida a partir de uma pesquisa de opinião realizada com mais de 100 mil acadêmicos de todo o mundo, que consideram a qualidade do ensino e da pesquisa das universidades avaliadas. A reputação entre empregadores leva em conta as quase 50 mil respostas a uma pesquisa feita com empregadores, que identifica as instituições de onde eles obtêm os melhores graduados.

A citações científicas dizem respeito às pesquisas produzidas pelos docentes de cada instituição que têm impacto no ambiente acadêmico internacional, ou seja, o quanto elas são citadas em outros trabalhos científicos. Para esse cálculo, considera-se o número total de citações recebidas por todos os artigos produzidos por uma instituição, ao longo de um período de cinco anos, dividido pelo número de docentes dessa instituição.

As proporções de docente por aluno e de estudantes e professores internacionais são indicadores que mostram a qualidade do ensino e o grau de internacionalização — a capacidade em atrair professores e alunos de todo o mundo, de proporcionar um ambiente multicultural e de favorecer o intercâmbio de ideias e práticas.

Confira a lista das 10 melhores universidades do mundo, segundo o QS World University Rankings 2021:

Destaques das universidades britânicas:

Lisandra Matias – Jornalista

22/09/2020

Do fim do século XVIII ao final do século XX, acompanhe 10 invenções na área de biologia e saúde que revolucionaram o conhecimento humano

Além da excelência acadêmica, as universidades do Reino Unido são reconhecidas internacionalmente pela qualidade da sua pesquisa científica. Das instituições de ensino do país já saíram grandes descobertas que contribuíram para o desenvolvimento da ciência e a melhoria da qualidade de vida da população, muitas delas vencedoras de Prêmios Nobel. Veja uma linha do tempo — do final do século XVIII ao XX — com algumas grandes invenções que moldaram a história da humanidade.

1798 — Edward Jenner, formado pela St George’s University of London e University of St. Andrews, inventou a primeira vacina no mundo, foi a vacina contra a varíola.

1853 — Alexander Wood, formado pela University of Edinburgh, criou a primeira agulha hipodérmica, que usava uma seringa e uma agulha oca.

1892 — Francis Galton, formado pelo King’s College e London Trinity College (Cambridge), desenvolveu um método para classificar impressões digitais, usado na ciência forense até hoje.

1945 — Dorothy Hodgkin, junto a seus estudantes de pós-graduação do Somerville College (Oxford), desvendou a estrutura molecular da penicilina. Essa descoberta foi fundamental para viabilizar a produção em massa da penicilina durante a Segunda Guerra Mundial e tratar os soldados doentes.

1953 — Francis Crick, importante biólogo molecular formado na University College London, foi um dos descobridores da estrutura helicoidal do DNA. Ele dividiu com seus colegas o Prémio Nobel de Medicina de 1962 pela importância dessa descoberta.

1958 — John Gurdon, então na University of Oxford, anunciou que havia clonado com sucesso um sapo.

1977 — Robert Geoffrey Edwards, formado pela University of Edinburgh, foi o responsável pela primeira fertilização in vitro bem sucedida da história, que deu origem ao primeiro bebê de proveta, a britânica Louise Brown. Ele ganhou o Prémio Nobel de Medicina por esse trabalho, mas apenas em 2010.

1984 — Sir Alec Jeffreys, geneticista formado pela University of Oxford e então professor da University of Leicester, desenvolveu técnicas de impressão digital genética e o perfil de DNA, que passaram a ser usados em todo o mundo na ciência forense e na resolução de disputas de paternidade.

1991 — John Gustav Daugman, professor da University of Cambridge, inventou o IrisCode, um algoritmo 2D de identificação de pessoas pelo reconhecimento da íris. Desde então, sistemas automáticos de reconhecimento de íris (Gabor wavelet) são amplamente utilizados em todo o mundo.

1997 — Cientistas escoceses do Roslin Institute, da University of Edinburgh, produziram o primeiro mamífero clonado, a ovelha Dolly, a partir de uma célula adulta.

Lisandra Matias – Jornalista

08/09/2020

Fazer uma graduação no exterior ajuda no desenvolvimento da autonomia, da maturidade e do senso de responsabilidade; estudante da Solent University, no Reino Unido, conta sua experiência

Estudar no exterior, além das vantagens acadêmicas e profissionais, permite que os estudantes desenvolvam também uma série de competências fundamentais para a sua formação pessoal, como maior autonomia, senso de responsabilidade e maturidade.

O estudante português Diogo Ramos, 29, que cursou Marketing na Solent University, em Southampton, no Reino Unido, onde atualmente faz mestrado em gestão de marcas de luxo, conta que uma das coisas mais valiosas que a experiência de estudar fora lhe proporcionou foi a independência. “Quando cheguei na Inglaterra, eu não sabia fazer as coisas básicas do dia a dia, como limpar o quarto, cozinhar e lavar roupa. Mas, quando passei a morar sozinho, eu tive a necessidade de aprender a fazer essas coisas para sobreviver. Ao fim de um ou dois meses, eu arrisco a dizer que eu era outra pessoa”.

Ele diz que, no início, dá um pouco de medo de ter que se virar sozinho, pois não se está habituado a fazer todas aquelas coisas. Mas, depois de um tempo, a pessoa já nem sabe como ela vivia de outra maneira. “É uma sensação muito boa e dá segurança para enfrentar qualquer situação que se apresente no futuro, pois sei que tenho condições de resolver os problemas que surgirem. Essa autoconfiança também é das melhores coisas que eu ganhei aqui”.

Assim como a independência e a autoconfiança, Diogo também destaca a maturidade como outra grande vantagem que se adquire ao estudar e morar em outro país. “Especialmente hoje em dia, quando as pessoas tendem a permanecerem na casa dos pais até acabarem o curso superior e arranjarem o primeiro trabalho, o crescimento e a passagem para a vida adulta fica muito mais lento”, observa. “Aqui na Inglaterra, essa transição é muito mais acelerada. Vejo pessoas com 19 e 20 anos que já vivem sozinhas e trabalham enquanto estudam. Elas têm outro nível de maturidade.”

Um dos fatores que contribuem para isso, de acordo com ele, é a própria cultura do país e o tipo de ensino. “Eu comecei uma faculdade em Portugal, e o ensino era muito parecido com o do ensino médio, com muita teoria. Já na Inglaterra, o foco é relacionar a teoria com eventos da vida real e saber aplicá-la. Isso faz uma grande diferença. Porque não é só utilizar o conteúdo que o professor passou, temos que fazer a nossa própria pesquisa e usar o tempo fora da faculdade para fazer algo e conseguir uma boa nota.”

Segundo Diogo, o mesmo acontece em termos de trabalho, pois, no Reino Unido, é muito comum que os estudantes trabalhem part time enquanto estudam. “Você tem um trabalho, e as pessoas esperam que você esteja lá para cumprir as suas responsabilidades”, afirma. “Nesses dois sentidos — vida acadêmica e trabalho — a experiência de morar no Reino Unido contribui muito para o desenvolvimento pessoal dos estudantes.”

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